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domingo, 4 de novembro de 2012

Olha, não fiques assim, vai passar. Eu sei que dói. É horrível. Eu sei que parece que não vais aguentar, mas aguentas. Sei que parece que vais explodir, mas não explodes. Sei que dá vontade de abrir um fecho nas costas e sair do corpo porque dentro de nós próprios, nesse momento, não é um bom lugar para se estar. Dor é assim mesmo, arde, depois passa. Que bom. Aliás, a vida é assim: arde, mas depois passa.
Pensa assim: agora tá insuportável, agora querias sair do teu corpo, encarnar num felizardo, virar um paralelepípedo ou qualquer coisa inanimada, anestesiada, silenciosa. Mas agora já passou. Agora já é dez segundos depois da frase passada. Tua dor já é dez segundos menor do que duas linhas atrás. Achas que não, porque esperar a dor passar é como olhar um navio no horizonte estando na praia. Ele parece parado, mas aí tu desvias o olhar, tomas um café, lês uma revista, dás um pulo ao mar e quando vais ver o barco já tá lá longe. A tua dor agora, esse fogo na tua barriga, – é difícil de acreditar, eu sei – vai virar só uma memória, um pequeno ponto negro diluído num imenso mar de memórias.
A vida é incontornável. Perdemos, levamos empurrões, somos deixados para trás, caímos. Dói, dói demasiado. Mas passa.
Estás a ver essa dor que agora dança no teu peito com uns saltos agulha? Tu ainda a vais olhar no fundo dos seus olhos e rir da cara dela.
Eu juro que vai passar

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